26 de julho de 2010

Dos silêncios,


' Na verdade, não aconteceu quase nada. Dois ou três almoços, uns silêncios.

...

De mais a mais, eu não queria. Seria preciso forjar climas, insinuar convites, servir vinhos, acender velas, fazer caras. Para talvez ouvir não. A não ser que soprasse tanto vento que velejasse por si. Não velejou. Além disso, sem perceber, eu estava dentro da aprendizagem solitária do não-pedir. Só compreendi dias depois, quando um amigo me falou — descuidado, também — em pequenas epifanias. Miudinhas, quase pífias revelações de Deus feito jóias encravadas no dia-a-dia.
Era isso — aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania. Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo à noite, aos domingos.

Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome.'


Caio F.

4 bla bla blás!:

Karine Melo disse...

Lindo texto do Caio que você escolheu!

otima segunda feira, flor :*

Cris . disse...

É uma delicia ler Caio Fernando,
otimo trecho Miima.

Beiijo Beijoo .

Pipa. Agora eu era o herói. disse...

Ah mima.

Eu vou voar.
E enquanto o destino me conceder, continuarei voando.


Te beijo

'Lara Mello disse...

Jura que aquele texto é seu?
Não coloquei de quem era pq achei no blog Costurando estrelas e ela me falou que não sabia de quem era..Sigo-te, uma pessoa com um texto desses deve ter muitas coisas melhores por aqui..Bju!

Voaram aqui